Este é o primeiro post do blog, e me sinto na obrigação de explicar o título deste site. Se eu sou uma desconhecida para você, sua expressão deve ser de curiosidade. Se eu sou uma conhecida sua, você deve estar assustado. Bem, é que na verdade, a pessoa que você vê em mim é apenas uma parte do que sou. Algumas pessoas realmente me conhecem, mas isso se resume aos meus amigos íntimos e a minha família. Mesmo assim, ainda há coisas que pouquíssimas pessoas (uma minusculosidade bem exagerada, mas verdadeira) sabem sobre mim. Uma delas todos (que irão ler este texto) agora saberão.
O fato é que eu escrevo poemas. Se você está confuso e tem a ideia de que nunca me imaginaria fazendo isso, talvez o motivo seja porque você tenha uma imagem errada sobre os poetas. Poetas nem sempre são aquela galera melancólica. Sim, talvez a gente fique olhando pro céu ou pra lua, no meu caso, deitada numa rede, olhando pro nada, apenas pensando.(Minha família deve achar que sou louca, talvez eles tenham razão). Ou um tipo de gente que olha pra uma pedra e reflete - tinha uma pedra no meio do caminho-. Mas isso não significa que andamos por aí sombrios e cabisbaixos.
A questão é que poetas gostam de dar sentidos diferentes ás coisas. É por isso que o amor é o tema mais comum entre as poesias. Mas isso não dá o direito de dizer que todo poeta é um bobo apaixonado, que saí por aí escrevendo versos para conquistar a pessoa amada. É que o amor pode atribuir diferentes formas, ter vários desdobramentos e várias maneiras de se interpretar. Amor pode ser um fogo, mas que arde e a gente sequer ver. Poeta ama descobrir os paradoxos do amor. Se eu te amo, isso é motivo de poema. Se tu não me correspondes, isso também. Amar é um dilema.
Outro problema é que nem tudo aquilo que se escreve, é sobre o autor. Eu posso escrever sobre um suicida, mas isso não significa que eu estou pensando em me matar. As vezes, falamos sobre nós mesmos, até de forma indireta, mas muitas vezes também escrevemos sobre alguém ou alguma situação que vimos ou que imaginamos.O meu maior medo, ao mostrar meus poemas aos outros, era sobre o que eles iriam pensar.Sim, as pessoas julgam, mesmo sem querer. Se eu escrever um texto sobre tristeza e mostrar a alguém, a pessoa vai pensar que ando triste. Quando se mostra uma obra a alguém, seja lá o que for, um poema, uma música, um texto em prosa, uma pintura; o interlocutor vai logo pensar: é isso que passa pela sua cabeça? Fernando Pessoa escreveu que um poeta é um fingidor, e eu devo concordar.
Uma coisa triste, mas comum, é que muitos não gostam de poemas. Acham chatos e sem graça. Coisas de gente velha. Coisas difíceis de entender ou interpretar. Pra quê dizer que pombas são sonhos? Pombas são aves, apenas.(As Pombas-Raimundo Correia). O que posso dizer é que poemas são muito mais do que frases pesquisadas no site Pensador. Poemas são umas das melhores maneiras de se interpretar e subjetivar a vida. É olhar de forma mais agradável e sensitiva as coisas que passam ao nosso redor e não percebemos.
P.S: Não desprezem os poetas, são eles que escrevem as frases que vocês postam no Facebook ou Instagram.
E aqui vai, um dos primeiros poemas que escrevi:
Se gosto das palavras
Se escrevo por metáforas
Se poemo minhas emoções
E transcrevo o que pensei
Não me culpe por essas paixões
Não fui eu quem me criei
Se faço do céu o meu amigo
Se pra chuva eu dou ouvidos
Não me chame de insensata
Deus sabe como me deixar bem inspirada
Se bem insistente é o desejo de inventar
Me vivo e crio sem ter medo de errar
Na criatividade sou esperta, espontânea e simpática
Me imagino, sou fantástica
E só Deus sabe disso
E sabe deveras
Sabe tão completamente
Que me criou pra ser poeta
Jessica Xavier
Jessica Xavier. 17. Aspirante a escritora e jornalista. Se diz poeta, mas não sabe se os versos e estrofes que escreve podem ser considerados poemas. Amar a Deus acima de todas as coisas é seu lema. Para ela, ler é passatempo, ser feliz é prioridade. Ama metáforas. Também ama cachorros e livros. Os sonhos mais gigantes ela pode chamar de seus. Resumindo: A pessoa mais estranha do mundo. Vulgo eu.
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